Como Encontrar o Equilíbrio Entre a Informação e a Emoção?

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Todos os dias acessamos a internet, lemos revistas e jornais, assistimos à telejornais, ouvimos rádio – sim, ainda existem pessoas que ouvem rádio – para ver o mesmo tipo de notícia: acidentes, violência e corrupção. Você até pode dizer que não são assuntos do seu interesse, mas como despertam a atenção da maioria das pessoas, estão presentes, com destaque, em todos os meios de comunicação e, ainda que você não queira ter contato com esses temas, não terá como evitar.

Se você encontrar um jornal de dez, vinte, trinta anos atrás verá que as notícias se repetem constantemente e os mesmos temas discutidos e explorados naquela época ainda são abordados atualmente. E não digo que essa é uma particularidade brasileira, esse fenômeno pode ser claramente percebido no mundo todo, até nos países considerados mais desenvolvidos.

Por que isso ocorre? Por que esses problemas parecem não ter fim, se a sociedade está em constante transformação? Porque essa é a natureza do mundo e sempre será assim, o que deve mudar é a nossa percepção da realidade. Devemos compreender os fenômenos do mundo como eles realmente são, impessoais, não são direcionados a nós, e, impermanentes, irão passar da mesma forma abrupta como chegaram.

Quando nos colocamos como receptor de toda essa informação, indiscriminadamente, isso tem um preço: o desequilíbrio emocional. Reagimos a essas notícias, não apenas pela situação retratada, mas porque o jornalismo se esforça em introduzir uma carga dramática no conteúdo e, em algumas ocasiões, nos vemos tão envolvidos com o fato noticiado que é comum o cultivo de sentimentos prejudiciais, como o ódio.

Não importa se o ódio foi cultivado pela indignação, pela revolta daquele fato ocorrido e que você, interiormente, tenha desejado que aquilo não tivesse acontecido. O que resta no final é apenas o ódio. Não se pode extrair nada de virtuoso do ódio.

Nossa missão não é mudar o mundo, mesmo porque a nossa visão de mundo ideal é diferente da visão das outras pessoas. Não há certo ou errado, apenas diferentes pontos de vista. Um modo de vida considerado desprovido do necessário para nos satisfazer pode ser objeto de profunda satisfação e felicidade para outra pessoa. Tudo depende das necessidades que criamos e dos objetivos que estabelecemos.

Vivemos em sociedade e devemos cumprir as suas regras que, ainda que precárias, são suficientes para impedir o caos. Contudo, o controle da nossa mente depende de nós e não só podemos, como devemos diminuir a interferência da sociedade sobre ela. Nesse sentido, podemos reservar diariamente um período para reflexão interior, não nos problemas, não no passado, não no que desejamos fazer no futuro, mas no presente e no que podemos fazer hoje para cultivar estados mentais benéficos.

Esse tempo para o silêncio, para a reflexão interior, lhe trará benefícios muito maiores do que se manter em frente à televisão, à tela de um computador ou celular. Aquela informação divulgada, na maioria das vezes, é a mesma de décadas atrás, mudam apenas os agentes do fato. Ao passo que na sua mente existem habilidades até então desconhecidas, esquecidas em sua essência e que vem sendo oprimidas por esse modo de vida imposto pela sociedade.

Há uma diferença entre manter-se informado e ser o divulgador da informação. Muitas vezes, por vaidade, queremos saber os mínimos detalhes da notícia para nos destacarmos no meio social, principalmente no ambiente de trabalho. Para que isso? Que benefício real isso nos trará? Se olharmos rapidamente no final do dia um site que contenha o resumo dos acontecimentos, sem maior envolvimento, isso já não será o suficiente para que possamos participar da conversa no outro dia? Você pode até não ser o colega de trabalho mais informado, mas também não será aquele mais exaltado, pois lhe faltarão argumentos para iniciar uma discussão sobre a notícia, e isso é bom, pode acreditar!

Alienar-se é estar alheio aos acontecimentos [1], mas sob qual ponto de vista podemos fazer essa análise? Apenas sob o ponto de vista social? Alheio aos acontecimentos da sociedade? Ou também pode ser considerado alienado aquele que não sabe o que se passa na sua própria mente?

Não se pode combater as mazelas da humanidade com aversão, indignação, agressão, ódio, rancor ou qualquer outro sentimento prejudicial. Agindo assim como reação ao que a sociedade nos apresenta, só iremos prejudicar a nós mesmos e em nada contribuiremos com os demais.

Ao contrário, se pudermos enxergar a realidade como ela realmente é, não cultivarmos pensamentos prejudiciais, desenvolvermos a compaixão, a generosidade e outras virtudes, estaremos dando a nossa contribuição verdadeira à sociedade.

Que ninguém procure o defeito nos outros; que ninguém observe as omissões e acções dos outros. Mas observemos os nossos próprios actos.

Neste mundo o ódio nunca é apaziguado pelo ódio. O ódio é apaziguado unicamente através de não-ódio. Esta é uma lei eterna.

Que um homem vigie a sua mente; que controle o seu pensamento. Que abandone a má conduta da mente, e pense correctamente.

Dhammapada, versos 5, 50 e 233 [2].

[1] Significado apresentado pelo Dicionário Aurélio. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Miniaurélio Eletrônico versão 7.0.2. O Míni Aurélio corresponde à 8a. edição, revista e atualizada, do Minidicionário Aurélio, da Língua Portuguesa, contendo mais de 30 mil verbetes. 2010.

[2] BUDDHARAKKHITA, Acharya. Dhammapada: O Caminho da Sabedoria do Buddha (ed. eletrônica). Portugal: Mosteiro Budista Theravada, 2013. p. 14, 28, 86. Disponível no menu “Biblioteca”.

Última revisão: 26 de maio de 2017.
Fonte da imagem: Pixabay.

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