A Joia Tríplice ou Triplo Refúgio

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Desde a época do Buda é comum que o discípulo busque refúgio na Joia Tríplice: o Buda, um ser humano perfeitamente iluminado [1], que dedicou sua vida aos ensinamentos do caminho para a libertação de todo o sofrimento; o Dhamma, a doutrina, o conjunto de ensinamentos revelados pelo Buda; e, a Sangha, a comunidade de discípulos do Buda, responsável pela manutenção e divulgação desse conhecimento.

Contudo, para o leigo, penso que esse processo interior deve ser feito com plena convicção, com certeza de que esse é o verdadeiro caminho a ser seguido e com a determinação suficiente para, pelo menos, cumprir os Cinco Preceitos, que é o mínimo exigido para que a pessoa possa ser considerada budista.

No Velama Sutta, do Anguttara Nikaya, o Buda estabelece uma escala de virtudes em seu discurso a um chefe de família, e assim expõe a relação entre os cinco preceitos e o refúgio na Joia Tríplice [2]:

Se com uma mente clara com serena confiança alguém se empenhasse em seguir as regras de treinamento – abster-se de matar seres vivos, abster-se de tomar aquilo que não tenha sido dado, abster-se do comportamento sexual impróprio, abster-se da linguagem mentirosa, abster-se do vinho, álcool e outros embriagantes que causam a negligência – isso seria mais frutífero do que, … se alguém com uma mente clara com serena confiança buscasse refúgio no Buda, Dhamma e Sangha.

Nesse discurso, o Buda deixa claro que a prática, o respeito aos Cinco Preceitos, é mais importante que a mera intenção de buscar refúgio na Joia Tríplice.

Também, é importante ponderar sobre os ensinamentos básicos do Buda, como as Três Características da Existência, as Quatro Nobres Verdades e o Nobre Caminho Óctuplo.

Igualmente relevante, é o exame de conceitos que servem de base para o budismo, como o kamma – carma [3] e o samsara – o ciclo de renascimentos do budismo [4]. Quanto a estes, se conflitarem com convicções internas ou dogmas religiosos adotados previamente, pode ser um indicativo de empecilhos no avanço do caminho budista.

O budismo é uma busca interior e é comum exigir sempre mais de si mesmo, na medida em que se avança no estudo dos ensinamentos do Buda. É comum também, experimentar arrependimento de ações passadas, mas o budismo nos orienta a ter confiança nos ensinamentos e a focar no momento presente, não nos pensamentos de ações passadas ou futuras. E, mais importante, aceitar o Dhamma é como aceitar um trabalho de grande responsabilidade. Todos os estados mentais e ações inábeis cultivados após o conhecimento do Dhamma terão um impacto muito maior na sua vida, pois você será conhecedor da verdade.

O trecho abaixo explica o significado da Joia Tríplice e como o praticante se torna um budista [5]:

O TRIPLO REFÚGIO

O Buddha, o Dhamma e o Sangha, são designados “As Três Jóias” (tiratana) pela sua pureza inigualável e por serem, para o budista, aquilo que há de mais precioso no mundo. Estas “Três Jóias” constituem também o “Triplo Refúgio” (ti-saraṇa) que o praticante assume, ao proferir as palavras com as quais o declara ou reafirma, ao adoptá-las como guias da sua vida e do seu pensamento.

A fórmula Pāli do Refúgio é ainda a mesma aquando do tempo do Buddha:

Buddhaṃ saraṇaṃ gacchāmi.
Dhammaṃ saraṇaṃ gacchāmi.
Sanghaṃ saraṇaṃ gacchāmi.

Eu busco o refúgio no Buddha
Eu busco o refúgio no Dhamma
Eu busco o refúgio no Sangha

É através do simples acto de recitar esta fórmula três vezes* que uma pessoa se considera budista.

Encerro com um pequeno verso do livro Através do Musgo … Havia Apenas a Jornada Sagrada, no Momento Presente …, de Karin Bagøien [6]:

O Buddha, o Dhamma, a Sangha.
Sabedoria, Verdade e Virtude.
Pela Tríplice Joia repousei minha cabeça.
É por isso que o coração está em paz.

Notas

[1] O Buda é considerado um ser perfeitamente iluminado, samma-sambodhi, “aquele por quem a Lei libertadora (dhamma), que estava perdida para o mundo, foi novamente descoberta, realizada e claramente proclamada para o mundo.”. MAHATHERA, Nyanatiloka. Dicionário Budista: Manual de Termos Budistas e Doutrinários (ed. eletrônica). São Paulo: Casa de Dharma, 2013. p. 170. Disponível no menu “Biblioteca”. Daquele ser iluminado, diz-se que alcançou nibanna – nirvana – a libertação do ciclo de renascimento, envelhecimento e morte, o samsara.

[2] Fonte: Acesso ao Insight. Disponível em: < http://www.acessoaoinsight.net/sutta/ANIX.20.php >. Acesso em 9 jun. 2017.

[3] Kamma ou carma é a ação intencional do corpo, da fala ou da mente, saudável ou não saudável, que pode interferir de forma benéfica ou prejudicial na nossa presente vida, bem como orientar nossa próxima existência, nosso próximo renascimento, e posteriores.

[4] Samsara ou ciclo de renascimentos, é a condição na qual se encontram todos os seres que não atingiram a iluminação, o objetivo último do budismo. Pode ser entendido como um processo contínuo de renascimento, envelhecimento, morte, renascimento, envelhecimento, morte…

[5] MAHATHERA, Nyanatiloka. A Palavra do Buddha (ed. eletrônica). Portugal: Mosteiro Budista Theravada, 2013. p. 23. Disponível no menu “Biblioteca”.

[6] BAGØIEN Karin. Através do Musgo … Havia Apenas a Jornada Sagrada, no Momento Presente … Autobiografia de Karin Bagoien (ed. eletrônica). 2016. p. 55. Disponível no menu “Biblioteca”. Tradução do livro Truth Heals: Issues Through The Moss. Malásia: Inward Path Publisher, 1998.

Última revisão: 13 de julho de 2017.
Fonte da imagem: Pixabay.

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