Podemos Aprender Até Com As Situações Mais Insignificantes

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Quem se lembra daquele desenho animado do Pica-pau [1], em que os animais da floresta trabalhavam incansavelmente para abastecer suas despensas e se preparavam para o inverno, enquanto que o Pica-pau, despreocupado, apenas vivia o momento presente, mas sem qualquer responsabilidade?

Entre aquelas criaturas trabalhadoras, a formiga merece destaque. Incansável, workaholic [2], talvez acumuladora compulsiva. O problema é que essa pequena criatura, às vezes, demonstra toda sua eficiência não lá fora, mas no conforto do nosso lar, e, quando percebemos, já estamos repartindo nossa comida com elas.

Aplicamos inseticidas em seus esconderijos, que se mostram ineficientes a longo prazo, descobrimos novos instrumentos de extermínio em massa, como aquele gel que as atrai para o “último banquete”, mas todos esses meios falham no seu objetivo, que é o de expulsá-las da nossa residência.

Até ficamos satisfeitos por um tempo, mas logo vemos uma andando aqui, outra andando ali, e então descobrimos mais uma trilha delas. No final, toda aquela matança fora em vão.

Além de demonstrarmos total descaso pela vida dos outros seres, não paramos para refletir sobre o problema, não atacamos a raiz do problema, que não é a presença delas, mas sim a nossa casa, que não se mantém limpa devido aos nossos hábitos.

O budismo nos ensina que não devemos tirar a vida dos outros seres [3], pelo simples fato de que todas as criaturas desejam viver e lutam pelas suas respectivas vidas, não apenas nós seres humanos.

A seguir, descrevo como o problema com as formigas foi resolvido, sem a necessidade de continuar exterminando-as.

Primeiramente, reconhecemos que o problema não era a presença delas, e sim nossos hábitos, meus e os da minha esposa. Jogávamos frequentemente resíduos de bolos e outros doces na lixeira da cozinha e demorávamos para substituir o lixo; acumulávamos embalagens vazias sobre a pia, para posterior separação e reciclagem, e alguns desses recipientes eram fontes de açúcar; repartíamos bolos sem muita atenção e o farelo caia sobre a bancada e sobre o chão; comíamos sem muita atenção e, novamente, deixávamos resíduos por onde quer que passássemos.

Como parte do plano de contingência, continuei utilizando o inseticida do tipo spray, mas sem aplicar sobre elas ou sobre o esconderijo delas, mas dentro da lixeira, como forma de impedir que continuasse a ser uma fonte de alimentos para as formigas, e, assim, elas não mais retornaram à lixeira.

Passamos a lavar, sem muito desperdício de água, as embalagens vazias sobre a pia para tirar o excesso de açúcar, até que pudessem ser ensacadas e separadas do lixo orgânico. As formigas ainda passeavam sobre a pia, mas apenas para beber água, não mais para se alimentar.

Desenvolvemos o hábito de maior atenção ao manusearmos biscoitos, bolos e outras fontes de açúcar. Dessa forma, a presença das formigas pela casa diminuiu consideravelmente, mas ainda era possível vê-las aqui e ali, até que em determinado dia algo extraordinário aconteceu.

Estava tranquilamente sentado na poltrona da sala quando, de repente, ouço um grito vindo da cozinha e dou um pulo de susto: “AMOR! VENHA VER UMA COISA!”.

Vou até a cozinha e vejo uma trilha com centenas de formigas, ou milhares, em mão única em direção à janela. Nessa trilha, também estavam algumas que pareciam as rainhas, bem maiores que as demais, devidamente protegidas por várias outras em volta, que as escoltavam lentamente pela mesma trilha. Vi também, incontáveis formigas carregando pequenos detritos coloridos – brancos, amarelos, azuis, verdes, vermelhos –, e, só então, pudemos perceber como era o nosso hábito alimentar e o quanto de corantes artificiais ingeríamos.

Em um passado não muito distante, esse seria o momento perfeito para matar todas elas com o inseticida do tipo spray, mas apenas permitimos que elas seguissem o caminho delas, talvez motivados por uma forma rudimentar de compaixão. Enfim, estavam abandonando definitivamente a nossa residência, e, por incrível que pareça, isso não nos trouxe a felicidade tão esperada [4].

Durante esse período de reeducação de hábitos pessoais, foi necessário, primeiramente, identificar a raiz do problema, que não era externa, não era a presença delas, e sim interna, nossa forma desleixada e desatenta de lidar com os alimentos. Também, foi necessária uma boa dose de paciência e tolerância, para convivermos harmoniosamente com as formigas até que elas decidissem abandonar nossa residência, o que, de fato, não sabíamos se iria ocorrer.

Esta é apenas uma pequena demonstração de que podemos extrair sempre algo de positivo até daquelas situações que nos parecem mais insignificantes. Ao invés de fomentarmos a intolerância, buscamos lidar da melhor forma com o problema e resolvê-lo definitivamente, do nosso interior para o exterior.

Assim é a vida, que sempre nos apresenta situações que põem à prova nossa paciência e nossa tolerância [5]. Da mesma forma, sempre temos diversas alternativas para lidar com um único tipo de problema apresentado. Alguns desses meios demandam pouco esforço, mas, por outro lado, não nos trazem a solução definitiva do problema. Outros, em contrapartida, exigem grande esforço, mas nos recompensa com a solução definitiva do problema.

E então, qual dos meios escolheremos para lidar com os problemas?

Notas

[1] Quem nunca assistiu ao desenho animado mencionado e gostaria de vê-lo, ou gostaria de relembrá-lo, se assim o desejar, basta pesquisar na internet pelo título: “Pica-pau – Os Trabalhadores da Floresta”.

[2] Aquele viciado em trabalho; trabalhador compulsivo.

[3] “Não matar seres vivos”, um dos Cinco Preceitos, o mínimo exigido daquele que se considera budista.

[4] Não se pode encontrar a felicidade verdadeira em fatores externos, essa felicidade é precária e passageira. O tema é melhor desenvolvido no seguinte artigo: O Budismo e a Verdadeira Felicidade.

[5] Essa é a Primeira das Quatro Nobres Verdades do budismo: o sofrimento. O simples fato de vivermos neste mundo é suficiente para que sejamos expostos a incontáveis situações que põem à prova nossas virtudes e nos provocam sofrimento.

Última revisão: 26 de junho de 2017.
Fonte da imagem: Pixabay.

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A Tolerância e o Equilíbrio Emocional

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Conciliar a vida em sociedade com o controle da mente pode ser uma tarefa árdua. Se fizermos uma pequena pausa para uma retrospectiva do dia, perceberemos que já acordamos contrariados. Nosso desejo era o de permanecer dormindo no conforto da nossa cama, mas o despertador, merecedor desse nome, nos fez despertar para a realidade, a realidade de uma vida repleta de tarefas e responsabilidades.

Nesse vaivém da vida, somos obrigados a aceitar algumas situações que nos provocam sofrimento, e, tendemos a evitar aquelas em que temos essa possibilidade de escolha, sem investigarmos o porquê do desequilíbrio emocional causado por essas situações.

Assim, esforçamo-nos para a manutenção de um ego aparentemente inabalável. Mas, qual o problema em agirmos assim? O sofrimento é uma coisa ruim, certo? Certo. Então, evitando a situação que provoca esse sentimento nossa vida será mais feliz, certo? Não é bem assim.

Quando evitamos uma situação que nos causa desconforto, na verdade, não estamos aprendendo a lidar melhor com ela, não estamos investigando a origem do sofrimento [1]. Conseguimos desviar daquela situação incômoda, mas logo vem outra e em seguida outra, e, quando percebemos, estamos sofrendo antes mesmo delas aparecerem, temos medo de que algo interfira na nossa aparente tranquilidade, na nossa aparente felicidade.

Contudo, o budismo nos ensina que essas situações continuarão surgindo, pois essa é a natureza do mundo [2], e, o sofrimento, não vem acompanhado dessas situações, é provocado pelo nosso eu, pelo nosso ego, na medida em que desejamos algo que não pode ser encontrado neste mundo, a permanência. Desejamos a estabilidade em um mundo instável, desejamos a continuidade em um mundo em que tudo surge, se transforma e desaparece.

Somente quando compreendemos a natureza como ela é [3], damos um passo em direção ao fim do sofrimento e enxergamos aquelas situações indesejáveis, outrora danosas, como fundamentais para exercitarmos nosso entendimento da realidade e desenvolvermos nossa tolerância.

Acho que todos já ouvimos falar desse tipo de pessoa: “fulano é ótima companhia para sair, mas para trabalhar…”. Esse tipo de pessoa, na verdade, é mais comum do que se imagina, talvez sejamos assim, mas nosso ego não nos deixa admitir isso.

Ajahn Chah, um grande mestre do budismo Theravada, dizia algo mais ou menos assim: “se você não consegue meditar na cidade, não vai ser na floresta que vai conseguir” [4]. Significa que, se a pessoa não é capaz de manter a concentração com os barulhos da cidade, não vai ser no aparente silêncio da floresta que ela vai conseguir, uma vez que os barulhos da floresta também irão prejudicar sua concentração, como o do vento, o das folhas caindo, o do estalar das árvores, o dos pássaros, o dos grilos, o dos sapos, etc.

Utilizando os exemplos acima como analogia, se não enfrentarmos as situações que nos causam sofrimento, como iremos aprender a lidar com elas? Como nos livraremos dos seus efeitos se não investigarmos sua origem?

Quando surgir uma dessas situações, devemos, antes de tudo, antes de falar ou agir, permanecer em silêncio e questionar mentalmente: porque estou reagindo dessa forma? Pelo simples fato de fazermos esse questionamento interno, veremos que aquele sentimento desagradável perderá força, pela simples razão de que não há qualquer substancialidade nele, não existe por si só, foi construído na nossa própria mente.

Quando a mente questiona uma construção dela mesma, não há como sustentar algo sem qualquer substancialidade e o incômodo vai, aos poucos, desaparecendo, sem que para isso tenhamos que recorrer a qualquer auxílio externo. A ajuda reside dentro de nós, apenas não compreendemos isso devido a uma vida inteira voltada para o exterior, uma vida inteira de busca por respostas onde elas não podem ser encontradas.

É claro que a paz, a tranquilidade, a felicidade verdadeira, só podem ser percebidas por aquelas pessoas que cultivam estados mentais hábeis [5], em benefício de si próprias e dos outros seres. Não se pode experimentar sentimentos nobres se prejudicamos a nós mesmos e aos outros seres.

Assim, não é fugindo dos problemas que aprenderemos a lidar melhor com eles. Se não aceitamos as situações que a vida nos apresenta, como desenvolveremos nossa tolerância e manteremos nosso equilíbrio emocional? E o que fazer quando necessitarmos da tolerância alheia se não estamos cultivando-a?

As situações consideradas adversas não trazem, por si só, qualquer sentimento de felicidade ou sofrimento. Essa construção ocorre na nossa mente, de acordo com as expectativas que criamos e sem considerarmos que no mundo impera a lei da impermanência, assim como em todo o universo. Todos os fenômenos da natureza, sejam aqueles externos, sejam aqueles que se passam na nossa própria mente, surgem, se transformam e desaparecem.

Se continuarmos a eliminar as situações que nos causam desconforto, na verdade, nos identificaremos cada vez mais com aquela pessoa agradável para os momentos agradáveis, desagradável para os momentos desagradáveis, uma vez que não desenvolveremos habilidades para lidar com as mudanças que fazem parte deste mundo.

Se continuarmos nesse caminho equivocado, até as pequenas coisas serão causadoras de desequilíbrio e desviarão nossa atenção.

Em contrapartida, apenas com o conhecimento da realidade como ela realmente é, sabendo que é o ego quem atribui valoração às situações enfrentadas no nosso dia a dia, poderemos ser mais tolerantes e manteremos nosso equilíbrio emocional.

Anexos

Abaixo, compartilho trechos dos suttas [6] que serviram de inspiração para este breve artigo:

Sattajatila Sutta, do Samyutta Nikaya [7]:

É vivendo junto com uma pessoa que a sua virtude pode ser conhecida e somente após um longo período de tempo, não um período curto; por alguém que seja atento, não por alguém que seja desatento; por alguém que tenha sabedoria, não por alguém que não tenha sabedoria.
É lidando com uma pessoa que a sua pureza pode ser conhecida e somente após um longo período de tempo, não um período curto; por alguém que seja atento, não por alguém que seja desatento; por alguém que tenha sabedoria, não por alguém que não tenha sabedoria.
É através da adversidade que a tolerância de uma pessoa pode ser conhecida e somente após um longo período de tempo, não um período curto; por alguém que seja atento, não por alguém que seja desatento; por alguém que tenha sabedoria, não por alguém que não tenha sabedoria.
É através da discussão que o (sic) sabedoria de uma pessoa pode ser conhecido (sic) e somente após um longo período de tempo, não um período curto; por alguém que seja atento, não por alguém que seja desatento; por alguém que tenha sabedoria, não por alguém que não tenha sabedoria.

Kakacupama Sutta, do Majjhima Nikaya [8]:

Antigamente, bhikkhus, aqui mesmo em Savatthi havia uma dona de casa chamada Vedehika. E um bom relato sobre a Senhora Vedehika havia se espalhado: ‘A Senhora Vedehika é boa, a Senhora Vedehika é gentil, a Senhora Vedehika é pacífica.’ Agora a Senhora Vedehika tinha uma empregada chamada Kali, que era destra, ágil e perfeita no seu trabalho. A empregada Kali pensou: ‘Um bom relato sobre a minha senhora tem se espalhado. Como será isso, embora ela não demonstre raiva, a raiva está na verdade presente nela ou está ausente? Ou será que é apenas devido ao meu trabalho perfeito que a minha senhora não demonstra a raiva, mas a raiva, no entanto, está na verdade presente nela? E se eu testasse a minha senhora.’
Assim a empregada Kali se levantou mais tarde. Então a Senhora Vedehika disse: ‘Ei, Kali!’ – ‘O que é, senhora?’ – ‘Qual é o problema, por que você se levantou tão tarde?’ – ‘Não há nenhum problema, senhora.’ – ‘Não há nenhum problema, sua garota má, no entanto você levanta tão tarde!’ e ela ficou furiosa e irritada e olhou com cara feia. Então a empregada Kali pensou: ‘O fato é que, apesar da minha senhora não demonstrar raiva, a raiva ainda está na verdade presente nela, não ausente; e é apenas devido ao meu trabalho perfeito que a minha senhora não demonstra raiva, que na verdade está presente nela, não ausente. E se eu testasse a minha senhora um pouco mais.’
Assim a empregada Kali se levantou ainda mais tarde. Então a Senhora Vedehika disse: ‘Ei, Kali!’ – ‘O que é, senhora?’ – ‘Qual é o problema, por que você se levantou ainda mais tarde?’ – ‘Não há nenhum problema, senhora.’ – ‘Não há nenhum problema, sua garota má, no entanto você levanta ainda mais tarde!’ e ela ficou furiosa e irritada e disse palavras de desaprovação. Então a empregada Kali pensou: ‘O fato é que, apesar da minha senhora não demonstrar raiva, a raiva ainda está na verdade presente nela, não ausente. E se eu testasse a minha senhora um pouco mais.’
Assim a empregada Kali se levantou ainda mais tarde. Então a Senhora Vedehika disse: ‘Ei, Kali!’ – ‘O que é, senhora?’ – ‘Qual é o problema, por que você se levantou ainda mais tarde?’ – ‘Não há nenhum problema, senhora.’ – ‘Não há nenhum problema, sua garota má, no entanto você levanta ainda mais tarde!’ e ela ficou furiosa e irritada e tomou um rolo para massa e golpeou Kali na cabeça, cortando-a.
Então a empregada Kali, com o sangue jorrando da cabeça cortada, denunciou a sua senhora para os vizinhos: ‘Vejam, senhoras, a obra da bondosa senhora! Vejam, senhoras, a obra da gentil senhora! Vejam, senhoras, a obra da pacífica senhora! Como ela pode ficar furiosa e irritada com a sua única empregada por ela se levantar mais tarde? Como ela pode agarrar um rolo de massa, golpeá-la na cabeça e cortá-la?’ Então mais tarde um relato ruim sobre a Senhora Vedehika havia se espalhado: ‘A Senhora Vedehika é grosseira … é violenta … é cruel.’
Da mesma forma, bhikkhus, um bhikkhu é extremamente bom, extremamente gentil, extremamente pacífico, contanto que a linguagem desagradável não o toque. Mas é quando a linguagem desagradável o toca que se pode reconhecer se aquele bhikkhu é realmente bom, gentil e pacífico. Eu não digo que um bhikkhu seja fácil de ser censurado se ele for fácil de ser censurado e aceitar a censura apenas com o propósito de obter mantos, comida esmolada, moradia e medicamentos. Por que isso?
Porque esse bhikkhu não é fácil de ser censurado e nem aceita a censura quando ele não obtém mantos, comida esmolada, moradia e medicamentos. Mas quando um bhikkhu é fácil de ser censurado e aceita a censura porque ele honra, respeita e reverencia o Dhamma, eu digo que ele é fácil de ser censurado. Portanto, bhikkhus, vocês devem treinar dessa forma: ‘Nós seremos fáceis de ser censurados e aceitaremos a censura porque nós honramos, respeitamos e reverenciamos o Dhamma.’ Assim é como vocês deveriam treinar, bhikkhus.

Notas

[1] A origem do sofrimento é a segunda das Quatro Nobres Verdades. O desejo pelas formas visuais, pelos sons, aromas, sabores, pelas sensações corporais e pelos objetos mentais; o desejo por ser e o desejo por não ser.

[2] O sofrimento é a primeira das Quatro Nobres Verdades, um ensinamento que nos alerta para a realidade, cujo objetivo é o de demonstrar que podemos encontrar a felicidade verdadeira, aquela que reside dentro de nós, não aquela exterior, frágil e passageira.

[3] Para a compreensão dos ensinamentos do Buda é importante primeiro compreender as Três Características da Existência: impermanência ou transitoriedade; sofrimento ou insatisfatoriedade; e, não-eu ou impessoalidade.

[4] Prometo encontrar a fonte em que Ajahn Chah disse isso e incluir no menu “Biblioteca” para consulta.

[5] Para a definição de “estados mentais hábeis”, podemos utilizar o ensinamento do kamma – carma saudável. Três ações ou carmas saudáveis do corpo: proteger a vida, não só a dos seres humanos, mas também a dos demais seres vivos menos privilegiados; praticar a generosidade; e, desenvolver o contentamento e o respeito à outra pessoa. Quatro ações ou carmas saudáveis da fala: a linguagem verdadeira, confiável; a linguagem conciliadora, que une as pessoas; a linguagem gentil, que agrada as pessoas; e, a linguagem oportuna, sábia, de acordo com o Dhamma. Três ações ou carmas saudáveis da mente: contentar-se com a própria aparência e com aquilo que se possui, e alegrar-se pela aparência dos outros e pelo que as outras pessoas possuem; abandonar o entendimento de que existe um eu, um ego que comanda as nossas ações, e desenvolver a boa vontade; e, entender corretamente o Dhamma, um dos passos do Nobre Caminho Óctuplo, entender as Quatro Nobres Verdades. Para mais informações, recomendo a leitura do artigo A Meditação e o Mosquito: O Que Aprendi Sobre Concentração e Virtude.

[6] Os suttas são os ensinamentos de extensão curta, média ou longa atribuídos ao Buda. Foram inicialmente transmitidos pela tradição oral e, posteriormente, escritos em páli, um antigo idioma da Índia.

[7] Esse trecho é a resposta do Buda ao rei Pasenadi de Kosala, que disse, como forma de pôr à prova a percepção do Buda, que seus espiões disfarçados de ascetas – aquela pessoa que abandona a vida social em busca da perfeição espiritual – eram homens santos. Após a revelação da verdade pelo rei, o Buda ainda acrescentou: “Um homem não é conhecido com facilidade pela forma externa nem se deve confiar numa rápida avaliação, pois com a aparência de bem controlados homens descontrolados se apresentam neste mundo. Tal como um brinco falso feito de argila, tal como uma moeda de bronze banhada a ouro, alguns se apresentam disfarçados: impuros no íntimo, belos no exterior.”. Fonte: Acesso ao Insight. Disponível em: < http://www.acessoaoinsight.net/sutta/SNIII.11.php >. Acesso em 13 jun. 2017.

[8] Esse trecho é uma história citada pelo Buda, com o propósito de demonstrar a seus discípulos que eles deveriam sempre manter o controle da mente, ainda que fossem insultados ou presenciassem alguma outra pessoa sendo insultada. O Buda ainda acrescenta mais à frente: “Bhikkhus, existem esses cinco tipos de linguagem que alguém pode usar ao se dirigirem a vocês: a fala dele poderá ser no momento adequado ou inadequado, verdadeira ou falsa, gentil ou grosseira, conectada com o benéfico ou com o prejudicial, dita com a mente cheia de amor bondade ou com raiva. Nesses casos, bhikkhus, assim é como vocês deveriam treinar: ‘Nossas mentes não serão afetadas e nós não diremos palavras ruins; nós permaneceremos compassivos pelo bem-estar dele, com a mente plena de amor bondade, sem raiva. Permaneceremos permeando aquela pessoa com a mente imbuída de amor bondade e começando com ela, permaneceremos permeando todo o mundo com a mente imbuída de amor bondade, abundante, transcendente, imensurável, sem hostilidade e sem má vontade.’ Assim é como vocês deveriam treinar, bhikkhus.”. Fonte: Acesso ao Insight. Disponível em: < http://www.acessoaoinsight.net/sutta/MN21.php >. Acesso em 13 jun. 2017.

Última revisão: 13 de julho de 2017.
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